sábado, 7 de setembro de 2024

ENEAGRAMA: PRIVILEGIE O QUE É EM VEZ DE COMO É...

Quando olhamos para alguém, quem vemos?

Se olharmos para as suas características, sejam elas quais forem, teremos três pessoas à nossa frente: aquela de quem gostamos [Força Ativa], aquela de quem não gostamos [Força Passiva ou de Resistência] e aquela de quem não nos importamos [Força Neutra]. Em algum momento surgirão dois sentimentos diferentes de amor e ódio e um estado neutro: o desinteresse.

Suponha que um parceiro homem, uma mulher, pudesse dizer: adoro a gentileza e o senso de humor dele, odeio que ele fume no quarto e deixe as meias jogadas no chão e, não me importa se ele é alto ou baixo, pele branca ou escura. Não são três pessoas, é apenas uma… dividida pelo nosso olhar.

Se houver casamento, neste caso, o amor pode ser fortalecido naquilo que gostamos e praticar a tolerância ou acordos com o que não gostamos, pensando que aquilo a que somos indiferentes não importa; ...mas importará no futuro.

Ao olhar para alguém prestando atenção nas suas características (e não mudando essa forma de olhar), com o passar do tempo pode - e geralmente acontece - que o que pensávamos ser neutro comece a perder essa qualidade, ampliando a lista do que gostamos e não gostamos, ou seja, daquilo que a gente não gosta; ..."no começo não prestei atenção na sua figura mas... nossa, que barriga você tem!"

Embora nas crianças esse tipo de olhar seja secundário, ele ainda está presente, o sentimento de orgulho por alguma característica ou conquista é equiparado, às vezes sutilmente, a um sentimento de decepção por motivos semelhantes. Já sabemos que a criança começará a buscar aprovação e a esconder o que causa a rejeição, componente fundamental na formação da personalidade... ferida.

Cada ser é um presente perfeito para cada um de nós, não é necessário acrescentar ou retirar nada: é perfeito em si e nós somos perfeitos para isso. Cada vez que olhamos além dos recursos, encontramos apenas perfeição... e bastante.

Não somos inadequados para os outros nem os outros são inadequados para nós. Não consigo pensar em nenhuma razão pela qual o amor não surja quase espontaneamente.

Como não há razão para usar “a máscara” com a qual nos apresentamos aos outros e [a] nós mesmos, [esta máscara] não nos é mais útil, [deste modo] o ego anteriormente defensivo manifesta-se na sua única forma saudável: compreender que o nós é composto por um você e um eu.

Não me refiro apenas às relações humanas, mas a todas, com os animais, com as plantas... o planeta em que estamos.

Negar o dom perfeito que os outros são para nós – e que nós somos para eles – torna-se assim relativamente fácil; e ao olhar para alguém não vemos QUEM É, mas COMO É.

Texto de - Pablo Inostroza.


OBS.: Os textos entre colchetes são nossos (autor da página).


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